Ouvirá o Mundo o que nunca viu, lerá o que nunca ouviu, admirará o que nunca leu, e pasmará assombrado do que nunca imaginou.


Padre António Vieira, História do Futuro


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PRIMEIROS PASSOS


Foi proposta uma atividade de escrita criativa aos alunos de 10º ano, de Português-Língua Não Materna (A2 e B1) . A atividade baseava-se na produção de um poema a partir de algumas palavras fornecidas por mim.  O resultado foi surpreendente.      Filomena Ponte Silva

Um momento                                            
Se eu pudesse
Roubava o tempo do mundo
Fazia cada momento
Durar mais do que um segundo,

Sussurrava enquanto o tempo
É só nosso
Se eu pudesse, fazia por ti tudo
O que não posso.

Cada olhar que fica,
Cada beijo que voa,
Cada palavra amiga,
Que sozinha nos conta
Esta história tão bela

Por mais breve que seja,
Faz eterno só o momento
Por mais esquecido que esteja.

MARIA CORREIA (pseudónimo) 10º ano 3ª (B1

Saudades

Saudades daquele sorriso lindo,
Daquele olhar que transparece,
Daquela menina do vestido amarelado
Que caminhava sempre lentamente

Saudades de vê-la rodopiar
Com a sua saia a esvoaçar,
Flor vermelha no cabelo
E seu sorriso no rosto

Saudades de poder tocá-la
Dizer-lhe que não deixo de amá-la,
Que me faz querer lutar
E mostrar que nada é impossível.

DÉBORA ALBUQUERQUE  (pseudónimo)10º 2  (B1)

SENTIMENTO
Hoje vou pintar o céu de azul
A minha maior criação
É amar os outros.

O amor é tão difícil de ter
Tão lindo de partilhar
Tão complicado de esquecer.

É difícil amar
Sem ser amado
Porque sem a troca
Não pode existir o amor.

A vida pode ser difícil
Mas quem vive
O que é viver
Saberá amar.

Hoje vou pintar o céu de azul
Porque acredito
Que posso voar até nele,
Que nele está a minha maior criação.

TINA PEREIRA (pseudónimo)-assistente

A vida é um caminho
De tristeza e alegria.
A vida é como uma flor
Que nasce, cria e morre
Como uma floresta sem fim.

A vida é linda
Como um banco no alto mar
Como os golfinhos a saltar
Como um poeta a falar
Como um passarinho a cantar.
A vida é muito curta
Como o pé de uma criança,
Como os brinquedos da infância.
Se a vida não existisse,
A felicidade, o amor e a tristeza não existiriam.

GILSON MONTEIRO (A2)
10º1


O mar é azul
Como o céu
Que encanta com a beleza do mundo.

Quando o sol nasce
Fica tão lindo a brilhar
Como um diamante

Se não existisse o mundo
Não havia floresta.

MARIA HELENA BARBOSA 10º 1 (A2)

O meu coração arde ai ai                      
Tudo arde
Só porque ela me disse bye.
Foi um adeus
que afastou o pão da minha boca
e trouxe uma bebida alcoólica.
Foi um grande facto
Marcando a minha vida.
A felicidade deixou de visitar a minha casa,
Embora a tristeza vá lá todos os dias.

GILSON PATRICK TAVARES 10º 2 (A2)




No mar
profundo
fecundo
o monte
defronte.
No espaço
abraço
enlaço.
No mar encerro tudo,
lembrando o meu passado.

Sofro
contigo.
Tu sofres depois.
O monte assiste;
sofremos os dois.
Eu sou 
tuas ondas,
na tua amplidão...
vou- lembro o amor que se foi;
volto- trago uma ilusão...
também
banais 
iguais 
no sofrer
sem ser
assim?
O mar
amar
sonhar
o mar...
Ah!mar!...
Amado.
A noite vai chegando,
o dia vai morrendo.
Dormir no infinito 
de um amor passado.

EDSON ROMARIO - 10º1(B1)
Mar azul lindo de ver
com as ondas lentamente
o vento transparece de um lado qualquer
o encanto do porto ao amanhecer
perder-se na floresta do outro lado
da cidade distante.

MALAM DANFA - 10º2 (B1)

                                                      
O CÉU

Aquele céu azul
como a cor do mar...
o mar é como o céu
o céu olha para a a terra
e a terra reflete o seu olhar
como duas pessoas apaixonadas

Esse é o céu
onde ficam as nuvens
as nuvens que nos rodeiam
onde vou buscar as minhas ideias.

CELSO MONTEIRO - 10º1 (A2)


Amo o verão, 
o estímulo 
que ele dá às pessoas,
a vontade de sair
à noite e ficar
até tarde.

Amo o desejo
que ele desperta,
a vontade de se dar,
de se entregar.

Amo as paixões
que ele desperta.
nessa época tudo vale,
a meta é divertir-se,
é aproveitar.
Amo o verão:
a mais bela estação.

ADAMA BARRY - 10º1 (A2)


AZUL

Azul é uma cor linda,
eu gosto de azul.
Quando olhei para o céu,
ficou todo azul.

E, na praia, costumo
somente ver a água,
porque o céu se reflete
no mar.

Azul é uma cor
das meninas.

AIDA COSTA - 10º 1 (A1-A2)








PAIXÃO AZUL

Com o brilho do sol,
numa tarde linda,
os passarinhos azuis
a cantar.

Com o som das marés,
as borboletas eram escusadas.

Eu não podia deixar
de imaginar a tua cara,
o teu sorriso
que se refletia no charco
do meu coração.

Rayoncé "GN" - 10º 1 (B1)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

sábado, 19 de novembro de 2011

A POESIA DE INÊS VALADA

Ainda há poetas pela Seomara. Se os julgavam desaparecidos, aqui têm a prova do contrário. É com muito prazer que o POST SCRIPTUM volta a publicar textos dos nossos alunos, desta vez da autoria de Inês Valada, aluna do 11º 1ª.

Jazz

És dono desta noite gélida e efémera.
Em segredo, serpenteias o vago como o fumo das cigarrilhas.
Ecoas em cada dedilhar da guitarra,
Em cada nota do trompete que me embala no folgar da alvorada.

Alma trapaceira, a tua!
Que me rouba os segredos mais recônditos sem pudor,
Extingue lentamente o calor da minha chama,
A história desta noite bulhenta e enlevada.

Despe-me de mim para que nua me conheça...
Leva-me o tudo, para que o nada me reste...
É louca esta noite que me arrasta,
Louca como a minha boca quando sonha que te beija.

Revela-te! Permite-me que conheça a tua presença opulenta.
Invade-me, descobre-me, mata-me!
Transforma-me em colcheias e fusas,
E por fim, arrebata-me com sustenidos e bemóis...
Para que eu, perdida, me perca...
Me perca ainda mais.
*

Na minha vida tenho mundos,
Mas nenhum mundo me tem.
Porque é que me sinto vazia?
Porque é que não sou de ninguém?
Busco o amor a cada dia,
A luz de onde este vem.
Talvez precise de um guia...
Porque é que não sou de ninguém?
Cada instante respira de ti,
E eu respiro também.
És algo que eu nunca vi.
Porque é que não sou de ninguém?
Mas talvez um dia o seja...
Ou dele ou de outrem.
Sonho o dia em que me beija,
o dia em que me deseja...
Eu só penso, ó dia vem!

*

Saudade

Saudades do movimento sobre pés descalços, da expansão, da leveza, e do vigor. Saudades da transparência, da viagem, e da metamorfose. Saudade é o sentimento que mais fortemente vive em mim, mas é assombrado pelos meus fantasmas. Sem pudor, borram de negro todas as boas memórias, tornando-as aziagas e avessas. Estou à procura de um novo rumo, mas só me deparo com obstáculos e barricadas. De olhos fechados tento vencer a bruma, que fria e severamente tenta sempre impedir-me de prosseguir. Tenho saudades dos tempos em que o Sol me ofuscava os olhos, em que o vento fazia dançar os meus cabelos como numa espiral sem fim que só o infinito quer alcançar. Será o passado coadunável apesar da sua vertente imutável? Que seja! Tal facto não me fará parar. Não me irei deixar entorpecer, não agora, não mais...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Dois contos em BD

O professor Francisco Tomé propôs aos seus alunos do 10º 4ª a criação de uma banda desenhada a partir de um conto. Eis o resultado:


Tânia Santos

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José Leonel

Nota: Nestes PowerPoint, verificam-se algumas gralhas que não puderam ser corrigidas, dada a natureza do documento.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

EM BUSCA DA POESIA 10º1ª e 10º3

Os alunos das turmas 1 e 3 do 10º ano foram convidados a produzir pequenos poemas a partir de desencadeadores de escrita criativa. Confrontados com uma listagem muito limitada de vocábulos, fizeram o melhor que puderam. Não seleccionei os melhores. Publico todos e esta actividade vale pela experiência de brincar com as palavras. Filomena Silva


1oº 1



O cão aldrabão
estava abandonado,
então o João
espalhou bifes dourados
pelo chão.

João Campião

Soldado dourado Francês
Esquerdo ao lado de Inglês
Sentado no meio do português
Matando a fome na mesa do Irlandês.
Eduardo Tomé


O sapo escorregou na casa de banho
desanimado chorou com a sanita
e pediu-a em namoro.
Eliany

O rato corria na distante escada
este rasgão mentia a cada episódio estúpido
Jecira

O poeta não escreve
Fala e escuta
O silvo dos pássaros
E constrói ternuras


Eu…
Eu que fora outrora
Um deles, voei alto
Abri savanas e suspirei como um elefante
Na terra húmida e vermelha

Eu
Escrevi como um justo num lugar árido
E mais…
venci a noite
Desenterrei o aroma de xerez a terra
Achei sinais perdidos nos fios pardos dela
E esqueci a riqueza,
os haveres que os homens acumulam
Os sítios sórdidos
Até extingui de todo
Ser água, pó, grão
Eu morria
Ela nascia

Miguel Coxe

Mostro o rosto louco
às estrelas responsáveis
e encosto-me a remar.

Paulo

Camarada rato camarão
com cara hostil
chora uma rampa de molho
homem espantralho com um tressolho no olho
do tamanho de um repolho

Sandra

O cão esperto prostitui-se à sombra
o ladrão sonâmbulo mostra a esperança

João

Pela terra espalhamos ruído
até o aroma romper as tendas da esperança.

Rui

A raposa nadou com o rato
a rapariga cansada do sapateiro
o nadador com casa modesta
acabaram radiantes e enamorados.

Junisa

De rosto coberto
corria o amado
num fato de lama
corria cansado
de tomate na mão
agrediu o sentimento
era normal
fugia do casamento.

Dulcineia

Ostenta decadência racional
desde macaco a maluco,
marca tendências ao Ramalhão
rapidamente hostil e repente manso

Desço rápido escadas, partindo ossos
tendo marcas raras
hostil, mas maroto,
posso confirmar as armas...~

Afirmo quadra, marco expressões,
ao ponto de palpitar corações...
sinto os erros, supeitos amados...

Fados perdidos... enganados,
mata a rainha dos explorados.
Mania de mandar nos tarados...

Anatilde

Desvanecia-se o amor
sentia-se a dor
hostil, mal avassalador
Doía-me

Uma flor crescia e florescia
mas o amor, ainda o sentia
agonia em demasia
réstia de alegria
Doía-me.

Leonor

Em Roma com um papel
uma tela cheia de bandeiras
um frasco de mel
enquanto espero pelas freiras
roendo uma moela
faço-te aquela mistela
num quadro com uma teia
Desenho-te essa cara feia

Pedro


1oº 3




O veneno é como a maldade


A máscara uma espécie de alucinação


Quando é posta sem qualquer vontade


Cai logo depressa sem hesitação


Sulema



Sofia mexia na pastelaria pastéis


Na missa o Pedro assistia ao terror


Vera



Naquela zona a menina que namora


Às escondidas


Mariana



Sonhar mistura sentimentos desesperados.


Tu desvendas-me sem que eu queira.


Pareces uma túlipa em vão.


Aissatu


Ia sozinha pela terra


e sentia-me como antes


ao mexer-lhe com ternura


Márcia


Seria esta Daniela Albina


Espantada por alguém


Na memória guarda memória engraçada


De Almada onde oferecia algodão da varanda.


Mércia


terça-feira, 31 de maio de 2011

UM TEXTO SURPREENDENTE DE LEONOR CARVALHO (10º1)

Esclarecimento Procura-se

Mas porque é que pensei aquilo? A verdade é que por mais que esperasse, a resposta não vinha. Então esperei um pouco mais. Mas a resposta teimava em não vir. Desviei o olhar do chão, ou do céu, fosse aquela escuridão o que fosse, e levantei-me às apalpadelas, como aliás, sempre fazia. Era sempre de noite naquele lugar. Triste e sombrio, tudo ali era tenebroso e desconhecido. Embora ansiassem por mais, os meus olhos tinham-se já acostumado à imensidão da penumbra que abraça aquele lugar quer de dia, quer de noite, isto é, se realmente existe ali algum dos dois.
Todos aqueles que me rodeavam me falavam na luz. Luz, quem és?
Nunca vivi em lugar algum senão nas trevas da noite. Naquele sítio, o Sol nunca brilha: creio que até ele tem medo de se mostrar em local tão sombrio como aquele, que parece ser só meu. Nunca vi ninguém por ali: sou só eu e a solidão dos meus pensamentos, misturados com aquelas vozes. Essas, perseguem-me todos os dias, a todos os momentos. Por vezes parecem ecoar de todos os becos daquela minha cegueira e, ao mesmo tempo, de lado algum.
É de calcular que, por esta altura, o leitor esteja já confundido. Pois se assim é, bem-vindo ao meu mundo.
Mas voltemos ao tema principal. Isolado no meu universo obscuro, dei por mim a matutar em algo que jamais me havia trespassado a mente… quer dizer… não é bem assim. Na realidade, creio que não existe sequer um pensamento que não tenha já atravessado o meu só e enegrecido intelecto. No entanto, tento afastar as ideias mas obscuras e ocultas que o assolam, tento não lhes dar atenção e espero, quase que suplicando em silêncio, que desapareçam. Afinal, obscuridade já eu tenho que sobre, mas desta vez não fui capaz. Foi mais forte do que eu. Por mais que tentasse afastar aquele pensamento, ele continuava a bater incansavelmente na minha pobre cabeça, até eu lhe dar um pouco de atenção. Só aí cessaria com aquele martelar incomodativo e me deixaria em paz. Vi-me forçado a dar-lhe ouvidos. “Mas que ideia é esta então?”, pergunta-se o meu caríssimo leitor, seja somente por mera curiosidade ou até mesmo por calcular que me pode dar uma resposta para a minha questão por resolver. Pois é com certo pesar que lhe revelo que, infelizmente, começo a desconfiar que este meu problema não tem resposta ou solução possível. Confesso agora a quem se digna a ler estas pobres linhas, fruto de um momento de negra e solitária reflexão, que a única conclusão a que cheguei no fim de tudo isto é que,sim, realmente tenho um problema ou enigma ou como o meu leitor lhe quiser chamar. Até aqui, nada de novo. A minha grande e pequena conclusão, visto que não serve de muito, foi que, afinal, e para meu grande desalento, o meu problema se desdobrava e multiplicava tão rapidamente quanto o meu cérebro permitia. Dividi então, toda esta parafernália de confusões em tema e subtemas. Estes últimos, tornavam-se cada vez mais infinitos à medida que apareciam na minha cabeça. Eram como forasteiros que assaltavam o meu pensamento e o ocupavam, sem mais o abandonar. E assim que se instalavam, sentiam-se suficientemente à vontade para se reproduzirem, mesmo que o meu pobre cérebro não o permitisse. Eram infractores da lei, imparáveis e implacáveis, esses malditos. E quanto mais lutava contra eles, mais eles atacavam e contra-atacavam. Rendição à vista? Essa parecia-me já a única forma de sair daquela batalha com um pingo de dignidade no sangue.
E pensar que tudo isto começou por um simples “porquê?”… “Mas porquê o quê?!”, pergunta sua excelência, o meu paciente e dedicado leitor, que já deve estar a sentir-se algo entre o entediado, o curioso e o enfurecido, daí eu estar a tratá-lo com tamanha polidez. Talvez seja por isso que o meu irmão mais velho, homem de palavras caras e sábias, diz, tantas e repetidas vezes, que posso não ver mais do que uma cortina negra diante dos meus olhos, mas que o meu poder de bajulação persuasiva está lá.
Voltando ao nosso ponto de interesse, onde é que estávamos? Ah sim, “ mas porquê o quê?!”. Ora, porque é que tudo parece estar envolto numa sombra cerrada para mim? E partindo daqui, eu pergunto-me: o que é a luz? O que são as cores e as formas dos objectos? E como são os teus olhos, grandes ou pequenos, amendoados ou arredondados?, como é o teu nariz, fino ou largo, afilado ou achatado, como são exactamente os teus lábios?, deles conheço apenas o seu suave toque e sabor, e como são as tuas mãos, oh, as tuas mãos, cujo toque reconheço sob todas as condições possíveis e imaginárias e que delas somente posso relembrar a sua suavidade e humidade característica? Imagino tudo isto, mas porém, sem certezas. Será isso suficiente? E porque é que tu, tu e todos, sussurram entre si sobre tudo isto que me atormenta o dia-a-dia sem nunca me darem uma resposta concreta?
Esclarecimento procura-se, e esta oferta está aberta também para si, caríssimo leitor.



Leonor de Carvalho