Ouvirá o Mundo o que nunca viu, lerá o que nunca ouviu, admirará o que nunca leu, e pasmará assombrado do que nunca imaginou.


Padre António Vieira, História do Futuro


domingo, 23 de janeiro de 2011

Exercício de Escrita

No âmbito do estudo do texto autobiográfico, propus aos alunos da 1ª turma do 10º ano que elaborassem uma página de um caderno de viagem, na qual descrevessem o seu percurso casa-escola. O resultado foi surpreendente .

Filomena Silva

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Exercício de escrita criativa

Aquando do estudo do canto IX d' Os Lusíadas, foi solicitado aos alunos que escrevessem um texto de uma só frase, usando 15 palavras retiradas das estrofes ( floresta, campos, matos, água, praia, terra, montes, verdura, ramos, flores, rosas, pedras, caça, animais, cervos), que caracterizavam o espaço físico, e três conectores (E; no entanto; assim como).
Eis dois exemplos:

      Quatro patas atacam a floresta, velozes, letais e, com destreza, pedras, troncos, flores, não passam de obstáculos vencidos enquanto a nobre presa, no encanto lançado pela harmonia de uma deliciosa queda de água, descansa, e, sem saber o que se esconde por trás dos matos escuros, inocentes, desfruta da sua última refeição, porém, um ramo no chão denuncia a caça, e começa uma perseguição rápida que toma como vítimas não só o pobre cervo, mas também as plantas e os animais que naquela terra habitam, no entanto a única verdadeira vítima foge, descendo pelos montes, desviando-se de inúmeros ramos numa claustrofóbica e violenta sensação de morte, perseguida por um medo que a alcançava cada vez mais rápido, e que, indiferente aos campos, verduras e rosas, frio, alcança finalmente o seu prémio, chegando a uma praia que ganha uma nova paz, e, apesar do sadismo da caça, a natureza solta um vôo de borboleta, assim como um suspiro de liberdade.
                                                       Pedro Pontes nº10 - 12º1

    Numa tela em branco, fiz um esboço da floresta que visitámos e dei-lhe vida e cor com os animais do campo, os cervos, que eram a caça naqueles montes, assim como a verdura e as flores que pintei, rosas que cobriam a terra dos matos, para além dos ramos e das pedras que, no entanto, davam um ar sombrio àquela paisagem e, como que juntando as melhores recordações da nossa viagem, desenhei, no canto da tela, a pequena praia com água límpida a que fomos, no Verão passado.

Tânia Lopes nº14 12º1

terça-feira, 16 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Um poema de N’Zoge Victor do 10º8

A Pessoa da minha Vida


Ela tem um jeito
Que só ela tem.
E que é demais.
Ninguém me faz
Sentir do jeito que ela me faz.

Bonita por dentro,
Por fora também,
Com Ela irei para além do além.

A Vida deu -me tudo que tinha para dar
Não quero mais nada
Porque para mim chega já.

É o brilho que traz a luz ao meu mundo,
Bem dentro do meu coração, ela está no fundo.
Meu anjo da guarda, minha dama, amiga, meu Às, meu trunfo.

Fizeste o meu mundo maravilhoso.
Trouxeste paz, harmonia e orgulho.
É o meu ar, que me faz respirar.
Para mim, Tu representas
A Lua, as Estrelas, o Sol e o Mar.

É bom sonhar e tentar
Para se alcançar.
Tudo o que fizeres não será em vão
Pois estarás dentro do meu coração.


N’Zoge Victor nº14 10º8

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ler um poema, é também olhá-lo, às vezes com as cores para as quais ele nos transporta...Ler, naquela aula, foi também desenhar as palavras com as cores do poeta.
Teresa G.

NUM BAIRRO MODERNO

Dez horas da manhã; os transparentes
Matizam uma casa apalaçada;
Pelos jardins estancam-se as nascentes,
E fere a vista, com brancuras quentes,
A larga macadamizada.
 
Rez-de-chaussé repousam sossegados,
Abriram-se, nalguns, as persianas,
E dum ou doutro, em quartos estucados,
Ou entre a rama dos papéis pintados,
Reluzem, num almoço as porcelanas.
 
Como é saudável ter o seu conchego,
E a sua vida fácil! Eu descia,
Sem muita pressa, para o meu emprego,
Aonde agora quase sempre chego
Com as tonturas duma apoplexia.
 
E rota, pequenina, azafamada,
Notei de costas uma rapariga,
Que no xadrez marmóreo duma escada,
Como um retalho de horta aglomerada,
Pousara, ajoelhando, a sua giga.
 
E eu, apesar do sol, examinei-a;
Pôs-se de pé; ressoam-lhe os tamancos;
E abre-se-lhe o algodão azul da meia,
Se ela se curva, esguedelhada, feia
Sérgio Afonso - 11º1 -2009/10
E pendurando os seus bracinhos brancos.
 
Do patamar responde-lhe um criado:
"Se te convém, despacha; não converses.
Eu não dou mais." E muito descansado,
Atira um cobre ignóbil oxidado,
Que vem bater nas faces duns alperces.
 
Subitamente - que visão de artista! -
Se eu transformasse os simples vegetais,
À luz do Sol, o intenso colorista;
Num ser humano que se mova e exista
Cheio de belas proporções carnais?!
 
 Bóiam aromas, fumos de cozinha;
Com o cabaz às costas, e vergando,
Sobem padeiros, claros de farinha;
E às portas, uma ou outra campainha
Toca, frenética, de vez em quando.
 
E eu recompunha, por anatomia,
Um novo corpo orgânico, aos bocados.
Achava os tons e as formas. Descobria
Uma cabeça numa melancia,
E nuns repolhos seios injectados.
 

Ruben Dias 11º1 -2009/10
 As azeitonas, que nos dão o azeite,
Negras e unidas, entre verdes folhos,
São tranças dum cabelo que se ajeite;
E os nabos - ossos nus, da cor do leite,
E os cachos de uvas - os rosários de olhos.
 
Há colos, ombros, bocas, um semblante
Nas posições de certos frutos. E entre
As hortaliças, túmido, fragrante,
Como dalguém que tudo aquilo jante,
Surge um melão, que me lembrou um ventre.
 
E, como um feto, enfim, que se dilate,
Vi nos legumes carnes tentadoras,
Sangue na ginja vívida, escarlate,
Bons corações pulsando no tomate
E dedos hirtos, rubros, nas cenouras.
 
O Sol dourava o céu. E a regateira,
Como vendera a sua fresca alface
E dera o ramo de hortelã que cheira,
Voltando-se, gritou-me prazenteira:
" Não passa mais ninguém! ... Se me ajudasse?! ..."
 
Ana Alves 11º1 -2009/10
Eu acerquei-me dela, sem desprezo;
E, pelas duas asas a quebrar,
Nós levantámos todo aquele peso
Que ao chão de pedra resistia preso,
Com um enorme esforço muscular.
(...)
 
E pitoresca e audaz, na sua chita,
O peito erguido, os pulsos nas ilhargas,
Duma desgraça alegre que me incita,
Ela apregoa, magra, enfezadita,
As suas couves repolhudas, largas.
 
E, como as grossas pernas dum gigante,
Sem tronco, mas atléticas, inteiras
Carregam sobre a pobre caminhante,
Sobre a verdura rústica, abundante,
Duas frugais abóboras carneiras.

Lisboa, Verão de 1877


Pedro Pontes 11º1 -2009/10